Chegamos ao hospital em mais um dia incomum, como sempre, repleto de pequenas trapalhadas que insistiam em nos acompanhar. Entramos no quarto do Sr. José, que estava todo coberto. Diante daquela imagem, perguntei, com legítima preocupação Bobológica, se ele estava com frio. Ele respondeu que sim.
Foi nesse momento que o Dr. JP contribuiu com seu conhecimento científico dizendo: — Bate a bunda no rio.
E começou a dar gargalhadas.
Avisei imediatamente que, daquele jeito, as pessoas não iriam nos levar a sério, afinal, nós éramos doutores. O Dr. JP concordou na hora, com muita seriedade.
— É mesmo.
Então pedi que ele assumisse uma postura de doutor.
O Dr. JP prontamente mostrou como era uma verdadeira postura doutoral. Em seguida, demonstrou o andar de doutor, desfilando pelo quarto com seus dotes profissionais. Logo depois, apresentou a risada de doutor, uma risada longa e esquisita.
Pedi então o olhar de doutor. Ele respondeu com um olhar sedutor, profundo e totalmente inadequado para qualquer prontuário. Por fim, solicitei a dança de doutor. O Dr. JP executou uma dança clássica, um tanto quanto maluca, mas feita com a convicção de quem acredita estar ensinando algo extremamente importante.
Foi assim, entre um tropeço e outro, que o Dr. JP mostrou como se comportava um verdadeiro doutor bobologista.
Dessa forma, conseguimos provar mais uma vez que somos verdadeiros doutores bobologistas, especializados em cuidar das bobeiras, bobices e bobagens — que, curiosamente, sempre acabam aquecendo mais do que qualquer cobertor.
E assim encerramos mais uma visita com postura duvidosa, dança questionável e ciência aplicada com sucesso.
Dr. Baltazar
