Relatórios Bobológicos

Relatório Bobológico

13/10/25

Começamos mais um dia de trabalho: eu, Dr. Baltazar (este que vos escreve), e meu novo camarada de jornada, Dr. João Pimentão, ou JP para os íntimos. Formado, reformado e reconhecidamente desconhecido no mundo inteiro. Apresentou-se com sua calça prateada discretíssima, um exemplo de sobriedade e elegância bobológica digna de nota.

À primeira vista, fomos imediatamente confundidos com irmãos gêmeos. Respondemos com sinceridade: “Sim, somos gêmeos… só que de pais e mães diferentes.” Mistério resolvido.

Cumprindo nossa missão, adentramos a QT (Sala de Quimioterapia) e, como de praxe, realizamos a vistoria: estava tudo em ordem, mas notamos novamente um fenômeno recorrente, os pacientes estavam impecavelmente elegantes. Para os desavisados, pode parecer apenas uma sala de tratamento. Mas nós, Doutores Bobologistas, já sabemos: trata-se, na verdade, de uma passarela de moda secreta, revelada apenas a olhos treinados como os nossos.

Percebendo o clima fashionístico, resolvemos dar uma breve demonstração de “chiqueza”. Dr. JP se empolgou no desfile e precisei lembrá-lo de que, apesar da passarela tentadora, estávamos ali a trabalho.

Apresentado aos pacientes, Dr. João iniciou seu primeiro procedimento: um “ultrassom sonoro”, utilizando para tal um equipamento de última geração – um pequeno violão portátil. O exame começou ao som de Asa Branca, melodia que imediatamente mostrou resultados positivos: sorrisos, olhos brilhando e corações afinados. Mas, de repente, um jovem paciente revelou uma anomalia detectada no ultrassom: um grito ecoou – “Toca Raul!”.

Silêncio. Tensão no ar. Todos olharam para o Dr. João Pimentão. Estaria ele preparado para tamanha demanda sonora? Foi então que, num giro heroico e com um estalo de dedos sobre as cordas, JP respondeu ao chamado com Cowboy Fora da Lei. O efeito foi imediato: as vozes se uniram em coro, enfermeiras levantaram os braços, senhorinhas aplaudiam, pacientes cantavam em uníssono. Uma verdadeira catarse coletiva. Terminamos o exame com uma salva de palmas apoteótica.

Como Doutores Bobologistas, emitimos nosso diagnóstico: todos os presentes passaram no exame de ultrassom musical com louvor.

Dr. Baltazar