Eu voltei! Agora para ficar… que aqui, meu amigo, aqui é meu lugar!
Calma, também não é assim de tomar posse não. Mas que eu voltei, voltei. E voltei para a querida Santinha. É assim que a gente chama a Santa Casa, num gesto de intimidade que não está em documento nenhum, mas está registrado no coração de quem anda por aqueles corredores.
E veja, quando digo que o hospital é grande, não pense pequeno não. Aquilo ali parece cidade vertical. Se eu disser que tem 43 andares, você não acredite, que mineiro quando começa a contar vantagem só para quando o riso chega. Mas que é grande, é. Grande de tamanho e maior ainda de história.
Esse ano completo cinco anos nos Palhaços da Alegria. E comecei justamente ali, na Santinha. Então você imagine: voltar é como revisitar o terreiro da própria infância. A gente pisa e o chão reconhece os passos. É um gosto diferente, uma alegria que não faz alarde, mas se instala feito café quente em manhã chuvosa.
Muita gente da equipe mudou, é verdade. Hospital é lugar de partida e de chegada, de ciclos que se fecham e outros que se abrem. Mas o carinho… ah, o carinho permanece. Ele não depende de crachá. Anda solto pelos corredores, cumprimenta a gente pelo nome, sorri com os olhos.
E o que mais me espanta — e encanta — são os mundos que cabem ali dentro. No mesmo dia a gente conversa com um bebê que mal inaugurou o riso e com um idoso que já coleciona histórias suficientes para encher livros. É um público variado, desses que obrigam o artista a ser humilde. Porque ali eu não vou ensinar nada. Vou aprender.
Aprendo sobre a cidade, sobre o povo, sobre a resistência mansa que mora em cada quarto. E saio sempre maior do que entrei.
Então, meu amigo, bora trabalhar. O ano está só começando e a Santinha já está de braços abertos. E eu também. Porque tem lugar que não é apenas cenário de trabalho — é capítulo da nossa própria história.
Santa Casa de Misericórdia de Barretos
Dr. Balako
