E hoje, na Santa Casa de Barretos, excepcionalmente trabalhei com o Dr. Baltazar. Aí fica aquele nervosismo, eu particularmente trabalhei com poucas pessoas do elenco, então fico nervoso quando vou encontrar um colega novo.
Logo no nosso primeiro quarto – começamos pelo 4º andar, no lado da pediatria da Santa Casa – tinha um garoto pequeno no colo da sua mãe. Ele estava com uma cara que não dava para saber direito se nos queria ali ou não. Nos aproximamos devagar, falando com ele de forma delicada.
Ele tinha um pássaro na camisa, e começamos a falar de passarinho. Tinha uma certa tensão no ar. O menino estava paradinho, nos fitando. Acho que estava funcionando, a criança parecia interessada. Então, a mãe que o segurava se virou, fazendo a gente perder o contato visual. O menino começou a chorar.
Pego o violão e começo a inventar uma música sobre passarinho que voa. Baltazar faz um passarinho com a mão e vou conduzido o passarinho a pousar em alguns lugares: na mesa, na parede… depois na mãe, depois no menino, que conforme a música, foi se acalmando.
Saímos cantando e voando para fora do quarto, assim como o choro daquela criança.
Hospital Santa Casa de Misericórdia
Dr. João Pimentão
