Relatórios Bobológicos

O quarto que virou salão

16/04/26

Entramos no quarto onde estavam duas pacientes idosas e seus acompanhantes. O ambiente seguia aquele ritmo mais silencioso de hospital, até que um dos acompanhantes avistou o violão e, com um brilho no olhar, pediu uma música. Disse que sua mãe era uma excelente dançarina. Perguntamos qual ritmo ela gostava e veio a surpresa: ela dançava de tudo.

A curiosidade se espalhou pelo quarto e começamos a investigar quem mais escondia um pezinho inquieto. Resultado da sondagem informal: todo mundo ali tinha um lado dançarino guardado, só esperando uma desculpa para sair. Não pensamos duas vezes. Puxamos um bom forró.

E o que era quarto virou salão. Teve canto, teve riso, teve passo tímido que virou giro confiante. Teve memória acordando no corpo. As pacientes dançaram do jeito que dava, os acompanhantes entraram no embalo, e por alguns minutos ninguém estava internado — estavam todos em baile.

Ficou comprovado, mais uma vez, que a dança não tem idade e que, às vezes, tudo o que ela precisa é de um acorde para voltar a morar no corpo.

Hospital de Amor Infantojuvenil
Dr. Grilo