A chegada dos palhaços ao quarto começou como qualquer outra, até encontrarmos o olhar da acompanhante, uma mãe vinda de outro país, pousado sobre nós com uma mistura de espanto, alegria e… descrença.
Ela contou que, antes de vir ao Brasil, assistia pela internet aos vídeos dos palhaços que visitam pacientes no hospital. Via, ria, chorava, mas no fundo acreditava que aquilo era apenas uma produção, algo criado para a câmera. Em seu país, explicou, esse tipo de cuidado humanizado simplesmente não existia.
Por isso, quando nos viu entrar — nariz vermelho, passos tortos, música torta, tudo no lugar certo — seus olhos se encheram de água na mesma velocidade em que seu sorriso se alargou. Chorou de emoção. Dizia entre soluços e risos que parecia impossível que aquilo fosse real, e que, ver ao vivo, ali, ao lado do filho, tornava tudo ainda mais bonito.
Quis registrar o momento. Pegou o celular com mãos tremidas e pediu uma foto, não para “guardar lembrança”, mas para provar a si mesma que tinha acontecido de verdade.
Antes de sairmos, agradeceu. Agradeceu não só pela visita, mas por algo maior: por transformar um momento difícil em algo leve, por mostrar uma forma de cuidado que ela nunca tinha visto, por estar ali naquele instante que, segundo ela, “vai ficar pra vida inteira”.
Saímos do quarto sentindo que, naquele dia, quem tinha recebido um presente éramos nós.
Hospital de Amor Infantojuvenil
Dr. Grilo
