Estava eu, Alavanka e ele, meu querido parceiro Jotapê para mais um dia de trabalho.
Chegamos na QT (quimioterapia) para mais um dia de trabalho, nos deparamos com uma cena curiosa: um amigo nosso desenhava no leito enquanto dançava sozinho um ritmo diferente. Ele não percebeu que nós havíamos chegado, e continuava a dançar sua música silenciosa enquanto desenhava.
Olhamos em volta, procuramos algum sinal de música, fone de ouvido, caixa de som, palco, microfone… e nada! Concluímos que se tratava, então, de um curioso caso de música interna! Pouco curiosos que somos, queríamos saber: QUE SHOW DA XUXA É ESSE? Mentira, não foi isso que dissemos, mas perguntamos que estilo musical correspondia aquele jogo de ombrinho que ele fazia. Ele seguiu dançando e disse: não sei.
“Não sei? Puxa, esse estilo eu não conhecia! Como é?”
E ele respondeu: “Sei lá!” – ainda dançando a música que só ele ouvia.
“Puxa!! Não sei com sei lá?”, ao que Dr. Jotapê saca o violão, manda um beat e eu experimento a melodia de:
“Não sei!
Sei lá!
Não sei!
Sei lá”
E o dono da música interna começou a dançar com mais empolgação ainda e a me acompanhar, cantando junto comigo:
“Não sei!
Sei lá!
Não sei!
Sei lá”
Assim, de repente, com uma enorme generosidade, aquela música interna que ele guardava só pra ele, foi compartilhada com todo mundo que estava ali, se transformando numa lembrança conjunta do estilo musical interno “Não sei Sei lá”.
Hospital de Amor – Unidade Infantojuvenil
Dra. Alavanka Motolovs de Capote Valente
