Estávamos eu mesma, Dra. Alavanka, e ele mesmo, Dr. Baltazar, em mais um dia de atendimento bobológico quando, de repente, descobrimos que era um dia atípico: haveria um casamento! A notícia se espalhou pelos corredores do hospital, trazendo um ar de expectativa, celebração e curiosidade.
Nossos pacientes – que já conhecíamos de outros atendimentos – eram internacionais! Diretamente da Bolívia, armaram o casamento bem ali na capela. Enquanto todos se preparavam para o evento, decidimos ajudar os outros pacientes a participarem da celebração. Passamos por todos os quartos, avisando a todos que quando suas marmitas chegassem, deveriam separar o arroz para jogar na noiva, seguindo a tradição. Como arroz sozinho é meio sem graça, avisamos que, quem quisesse, poderia jogar feijão, carne, salada, legumes, gelatina e o que mais tivesse! Seria uma demonstração de “estamos desejando muita fartura!”. Todos foram avisados, sem exceção!
Claro, não pudemos deixar de falar com a noiva, a estrela daquele dia! Quando vimos uma mulher toda de branco, com um véu branco, toda linda saindo da igreja, ficamos animados!
Nos aproximamos para cumprimentá-la e desejar felicitações quando ela nos contou: palhaços, eu não sou a noiva, SOU A FREIRA!
Ah freira, nos desculpe! Confundimos porque você está toda de branco e com o véu, me desculpe, me desculpe! E ela respondeu “eu já sou casada, com JESUS!”. Eita Freira, o ex da Madonna, a senhora é danada hein?!
Enfim, finalmente encontramos a noiva VERDADEIRA. A tranquilizamos, compartilhando palavras de encorajamento e apoio, enquanto ela se preparava para o grande momento. Fizemos o mesmo com o noivo e, após ajudar a acalmar a todos, resolvemos assistir tudo de camarote da varanda de uma outra paciente nossa, com quem compartilhamos todos os detalhes.
Que dia!
Dra. Alavanka Motolovs de Capote Valente
Hospital São Judas Tadeu
