Ô, minha gente, me deem licença, porque hoje eu tô aqui, com a cabeça fervilhando e o coração a mil, e acho que é hora de filosofar um pouco, sabe como é? Tem dia que a gente sente que o vocabulário vai além, que os neurônios começam a funcionar e a gente tem vontade de gastar tudo que sabe. Mas, o motivo especial que me trouxe aqui hoje foi conhecer uma grande mestre, daquelas professoras que fazem a gente sentir saudade logo na primeira aula, que transforma qualquer matéria difícil numa brincadeira de criança, e que faz os problemas parecerem mais fáceis do que se imagina.
Pois bem, tudo aconteceu na visita domiciliar do Hospital São Judas Tadeu, onde, como bons Doutores Bobologistas, a gente vai junto com a equipe médica até as casas dos pacientes para atendê-los e, dessa vez, tivemos o privilégio de conhecer dona Dora. Uma mulher daquelas, com uma simplicidade que transborda e uma sabedoria que faz a gente ficar tonto. Cada palavra que ela dizia vinha acompanhada de um sorriso tão sincero… e a gente ali, bobo, retribuindo com aquele sorriso.
A conversa foi rolando, entre apresentações, explicações e um atendimento que mais parecia uma reunião de amigos, do que uma consulta. A gente começou a se entender, mas logo a confusão começou… Não, calma, nada de errado, era só a nossa cabeça trabalhando demais! Por exemplo, uma hora, me peguei dizendo: “dona Dora, que colorido bonito tem aqui! Cada página mais linda que a outra!”
Aí a gente começou a elogiar, porque, né, estava mesmo bonito. Folhamos um caderno inteiro de desenhos e passamos horas ali, rindo, dizendo que estava maravilhoso… até que, um belo momento, a ficha caiu: tudo aquilo não tinha sido ela que fez, mas sim as cuidadoras dela! Dona Dora, com a maior calma do mundo, explicou que, na verdade, ela só orientava as meninas e elas que se encargavam dos desenhos. A confusão fez parte do encanto porque a gente já estava tão encantado com ela que parecia até que tudo ali tinha um toque de magia.
Mas, meus amigos, não é que dona Dora é uma professora? E não é professora de qualquer matéria não, viu? Adivinha qual? Matemática! Isso mesmo, meu povo, a gente sabe que é difícil encontra quem ama essa tal de matemática, mas dona Dora amava! Passou anos ensinando matemática no ensino médio, e a gente foi ficando cada vez mais maravilhado com o amor que ela tinha pelo seu ofício.
Ela foi nos contando um pouco sobre sua experiência e dizia com um brilho nos olhos: “Eu sempre procurava conversar muito com meus alunos. Levava eles para excursões, para museus, tudo para facilitar o aprendizado. E, olha, até música eu inventava na hora, só para chamar a atenção deles!”
Ora, eu já estava aqui doido para saber mais, então pedi com aquele jeitinho de quem quer mais: “Dona Dora, me diga uma coisa, mostra um pouquinho para a gente, vai? Tô curioso demais!” E, minha gente, quando ela falou, com aquele brilho nos olhos, Ossildo já se prontificou: “deixa eu pegar meu ukulele e a gente faz um som”.
Aí o nosso amigo Ossildo, que tava ali na hora, se ofereceu logo para tocar. E foi assim que Dona Dora cantou para nós:
“2+2=4,
4+4=8,
8+8=16,
16+16=32.”
Agora, por favor, imagina essa última parte cantada, com ritmo e tudo. Não, eu sei que não consigo passar o ritmo aqui, mas acreditem, na hora foi uma verdadeira festa!
A gente seguiu com o atendimento, tirando algumas dúvidas básicas, e dona Dora, com toda a paciência do mundo, respondeu tudo com uma atenção que encantava mais ainda. Quando nos despedimos, ainda ganhamos um beijo de despedida. E, olha, eu digo sem medo de errar: eu queria ter sido aluno dessa mulher, com toda a certeza do mundo!
Hospital São Judas Tadeu
Dr. Balako
