Relatórios Bobológicos

O Auto de Natal

3/02/26

Chegou dezembro, e com ele chegou também o tempo em que os corredores do hospital se  transformaram em caminhos de festa, canto e anúncio. Como em todo fim de ano,  realizamos nosso grande cortejo natalino, passando por alas, quartos e corredores, levando  aquilo que sabemos fazer melhor: história, música, presença e um pouco de bagunça  organizada.

Neste ano, o cortejo teve como tema o Presépio de Natal. Vieram o anjo com suas notícias  importantes, os três reis magos meio perdidos no caminho, o burro, o jumento — que  insistiam em disputar quem era quem — as ovelhas que se perdiam e se achavam o tempo  todo, e a estrela de Natal, que tentava brilhar mesmo quando alguém esquecia para onde  apontar.

Seguimos pelos hospitais cantando “Bate o Sino”, espalhando palmas, passos de dança  improvisados e vozes que nem sempre acertavam o tom, mas sempre acertavam a  intenção. Contamos a história do Menino Jesus, do nascimento simples, do amor que chega  pequeno e muda tudo. Cantamos também o Hino de Reis, na força da Folia, abrindo  caminhos invisíveis entre quem passava, quem assistia e quem esperava.

Entre uma ala e outra, houve risos inesperados: reis magos que quase se perderam do  próprio cortejo, ovelhas que queriam entrar em todos os quartos ao mesmo tempo, estrelas  que giravam mais do que apontavam. E foi justamente nesses tropeços que o Natal  apareceu com mais verdade.

As pessoas dos hospitais cantaram junto, dançaram, bateram palmas, sorriram. Alguns  acompanharam com o corpo, outros com o olhar, outros só com o silêncio atento. Todos  participaram do jeito que podiam.

Foram dias especiais. Dias em que o hospital virou caminho. Dias em que a história antiga  se fez nova outra vez. Dias em que lembramos que o Natal não mora só na data, mas no  encontro.

Assim, encerramos o mês, o cortejo e o ano, certos de que passamos deixando rastros de  canto, riso e estrela acesa.

 Dr. Baltazar