Chegou dezembro, e com ele chegou também o tempo em que os corredores do hospital se transformaram em caminhos de festa, canto e anúncio. Como em todo fim de ano, realizamos nosso grande cortejo natalino, passando por alas, quartos e corredores, levando aquilo que sabemos fazer melhor: história, música, presença e um pouco de bagunça organizada.
Neste ano, o cortejo teve como tema o Presépio de Natal. Vieram o anjo com suas notícias importantes, os três reis magos meio perdidos no caminho, o burro, o jumento — que insistiam em disputar quem era quem — as ovelhas que se perdiam e se achavam o tempo todo, e a estrela de Natal, que tentava brilhar mesmo quando alguém esquecia para onde apontar.
Seguimos pelos hospitais cantando “Bate o Sino”, espalhando palmas, passos de dança improvisados e vozes que nem sempre acertavam o tom, mas sempre acertavam a intenção. Contamos a história do Menino Jesus, do nascimento simples, do amor que chega pequeno e muda tudo. Cantamos também o Hino de Reis, na força da Folia, abrindo caminhos invisíveis entre quem passava, quem assistia e quem esperava.
Entre uma ala e outra, houve risos inesperados: reis magos que quase se perderam do próprio cortejo, ovelhas que queriam entrar em todos os quartos ao mesmo tempo, estrelas que giravam mais do que apontavam. E foi justamente nesses tropeços que o Natal apareceu com mais verdade.
As pessoas dos hospitais cantaram junto, dançaram, bateram palmas, sorriram. Alguns acompanharam com o corpo, outros com o olhar, outros só com o silêncio atento. Todos participaram do jeito que podiam.
Foram dias especiais. Dias em que o hospital virou caminho. Dias em que a história antiga se fez nova outra vez. Dias em que lembramos que o Natal não mora só na data, mas no encontro.
Assim, encerramos o mês, o cortejo e o ano, certos de que passamos deixando rastros de canto, riso e estrela acesa.
Dr. Baltazar
