Relatórios Bobológicos

Natal

3/02/26

“Era 25 de dezembro, quando o galo deu sinal, que nasceu o Deus Menino, numa noite de Natal”… E assim começa a nossa contação do auto de Natal: trazendo a história que deu origem a essa data comemorativa tão especial.

Pode ser crente ou ateu, todo mundo tem alguma lembrança afetiva com o Natal. Quando a gente passa pelos corredores cantando, estamos cutucando memórias. Quando contamos a história de Jesus, estamos relembrando o significado dessa data. Quando cantamos o Hino de Reis, estamos reativando tradições. Esse ano, percebo que o cortejo é especial justamente por isso: estamos percorrendo caminhos novos!

Há quem diga que palhaço é só pra fazer rir. Em mais de 10 anos de experiência como palhaça profissional, aprendi uma coisa: o riso é só um meio. Nosso objetivo final é nos conectarmos, de verdade, com as pessoas. Nesse cortejo, vi gente rindo, dançando, pulando, cantando; mas também vi gente chorando, emocionada. E tudo que envolve conexão, envolve sentimentos. Por isso, é esperado que múltiplos afetos invadam o hospital durante um cortejo ou uma intervenção: alegria, saudade, esperança, cansaço, fé, revolta, gratidão. Às vezes tudo ao mesmo tempo.

É essa a potência de um auto de Natal dentro do hospital: lembrar que, mesmo em meio a dor e incertezas, ainda existe tempo para história, para canto, para encontro. E nós, sempre que pudermos, estaremos lá sendo esse fio que costura, por alguns instantes, o sagrado e o cotidiano, o riso e o choro, a vida que segue e a vida que se despede.

Dra. Alavanka Motolovs de Capote Valente