Mal passamos pela visão da porta e já recebemos um sinal de positivo vindo do quarto. JotaPê, meu companheiro de dupla, nem hesitou e foi entrando para cumprimentar. Perguntei se eles já se conheciam tamanha a emoção ao se verem, JotaPê contou que foi o Fábio* quem ensinou ele a andar de patinete e que deu os conselhos motivacionais mais poderosos que fizeram com que ele finalmente conseguisse aprender a andar de patinete.
Fiquei bem curiosa e perguntei se o Fábio podia me ensinar também, afinal nunca é demais uma habilidade nova. Ele respondeu feliz que poderia ensinar sim, mas chateado porque não tinha um patinete ali. Prontamente expliquei que daria um jeito e corri porta fora e voltei em seguida com um patinete invisível e falei que o problema estava resolvido!
O Fábio não temeu o desafio e já foi pegando no guidão e mostrando que subia com um pé e empurrava o chão com o outro dando impulso e conseguindo aproveitar a corrida. O paciente que ele estava acompanhando pediu uma manobra e o Fábio radicalmente fez uma. Foi então que ele me passou a deixa. Me preparei toda, subi no patinete, dei uns impulsos com o pé que parecem mais uns coices de cavalo e todos comemoramos. Porém, o paciente observador me pediu a manobra radical e claro que eu não ia me mixar. Subi de novo no patinete e radicalizei enquanto o JotaPê fazia a trilha sonora. Num pequeno detalhe de volta ao chão, me empolguei demais e cai com os pés tudo destrambelhado, travei a coluna e o JotaPê teve que me levar pro hospital. Mas que sorte a nossa, a gente já tava em um!
*Nome fictício.
Hospital Santa Casa de Misericórdia
Dra. Ciska
