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Hospital de Amor, com o apoio do Instituto Sociocultural, realiza evento para pais enlutados

29/07/25

A humanização é um dos pilares do Hospital de Amor, que sempre buscou o melhor para seus pacientes e familiares. Infelizmente, nem sempre é possível obter a cura do câncer. Mesmo assim, a instituição preocupa-se com todas as etapas vividas pelos pacientes.

Para cuidar dos familiares, a instituição realiza alguns projetos, entre eles: o “Encontro Acolher”. O objetivo é trabalhar o enlutamento das famílias, proporcionando a humanização do cuidado ao luto, no qual, uma vez ao ano, diversas famílias enlutadas de diferentes regiões do país se reúnem com um propósito muito especial: compartilhar seus sentimentos.

No último sábado, 26 de julho, o IRCAD América Latina, em Barretos (SP), recebeu a 14ª edição do Encontro Acolher. O evento é promovido anualmente pela Unidade Infantojuvenil do Hospital de Amor e, neste ano, foi realizado em parceria com o Instituto Sociocultural e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

Segundo a coordenadora do Instituto Sociocultural do Hospital de Amor, Aline Dias dos Santos, “o Instituto valoriza espaços de diálogo, com temas universais que transformam realidades. Apoiar palestras que abordam a espiritualidade e diferentes visões culturais é fundamental para fortalecer vínculos, promover a escuta, o respeito e a humanização no cuidado com a vida em todas as suas fases”, ressalta.

 

Com o tema “Luto e Religião: A Morte em Diferentes Culturas”, o encontro presencial deu continuidade à reflexão iniciada em maio, durante um webinar conduzido pela psicóloga Maria Helena Franco, doutora em psicologia clínica e especialista em cuidados paliativos.

Nesta edição, cerca de 110 pessoas participaram das atividades, que incluíram palestras com especialistas de diferentes áreas. Entre eles, o médico de cuidados paliativos da Santa Casa de Misericórdia e do Hospital Regional do Câncer de Passos (MG), Dr. Leonardo de Oliveira Consolin; o psicólogo clínico e logoterapeuta Francisco Carlos Gomes; e o também psicólogo Nichollas Martins Areco. Além deles, familiares presentes compartilharam suas próprias experiências e caminhos no enfrentamento da perda.

Contadora de História, Sueli Probio

 

Para iniciar esse dia emocionante e especial, a contadora de histórias Sueli Probio subiu ao palco para contar uma história sobre espiritualidade. Na ocasião, ela deixou uma mensagem aos participantes: “Que sejamos fortes mesmo com rachaduras profundas. Que possamos florescer nas vidas dos outros. E, principalmente, lembrarmos daquilo que os outros, que já passaram em nossas vidas, deixaram em nossos corações.”

 

Dr. Leonardo Consolin

Outro momento de reflexão ocorreu durante a palestra do médico especialista em cuidados paliativos, Dr. Leonardo Consolin, que falou sobre a delicadeza de lembrar sem se perder na dor. Após pedir licença aos convidados para ler a história do livro “Agora pode chover”, dos escritores Anna Cunha e Celso Sisto, ele deixou uma mensagem de acalento ao público: “a gente, realmente, não tem como conhecer a dor do outro, mas a gente pode aprender com ela”.

Ao questionar a gerente administrativa da unidade infantojuvenil do HA, Daniela Santana, sobre esta edição do Encontro Acolher, ela destacou a importância da humanização e do acolhimento: “neste evento, recebemos os pais e demais familiares para ressignificar o fim de vida e, desta forma, fizemos toda a parte de humanização e acolhimento do luto. Inclusive, a equipe de psicologia está com um projeto para trabalhar toda esta fase de enlutamento através da saúde digital da instituição. Ou seja, este encontro é um projeto fundamental para que consigamos atender desde a chegada, a experiência do paciente na instituição e como atender a família neste momento de perda, extremamente delicado, que envolve toda a fase de luto da família dos pacientes”, concluiu Daniela.

Uma das convidadas para este evento foi a mãe da paciente Sabrina Tomaz (in memoriam), Simone Tomaz, que, emocionada, destacou a importância deste projeto. “O Encontro Acolher, para mim, é uma forma de estar viva, porque as pessoas ficaram… A minha filha está no céu e eu sei que ela se sentiria muito feliz em me ver aqui, com as pessoas que ela tanto gostava”, relatou ela.

Foi um encontro cheio de carinho, empatia e muito acolhimento. Para concluir, os participantes soltaram balões que subiram lindamente para o céu, representando todo o carinho e saudade pelos entes queridos que já partiram.