Ah, meu amigo, deixa eu te contar um causo que aconteceu por esses dias, desses de hospital, sabe? Pois é, nem toda vez que a gente entra num quarto, a gente sai com a sensação de que realmente conseguimos mudar alguma coisa no ar, trazer uma energia diferente para o encontro, ou, quiçá, conectar de verdade com o paciente ou com o acompanhante. Às vezes, a gente sai de lá pensando: “Hummm, não rolou…”. Cada quarto é um desafio novo, uma história diferente, e, claro, a cada encontro, uma possibilidade de fazer diferente.
No Hospital São Judas Tadeu, muitas de nossas visitas acaba sendo mais voltada para os acompanhantes, porque muitos pacientes, estão dormindo o sono dos justos. Então, o jeito é jogar a bola para quem tá lá fora, esperando, né? Vamos ver se a gente consegue, no mínimo, dar uma luz para quem está esperando também.
Agora, vamos ao causo de hoje. Eu, o Dr. Balako e o Dr. Ossildo estávamos lá fazendo nossa ronda, e entramos no quarto 23. Quem estava lá? O Senhor Antônio, que já estava no maior sono profundo, a medicação não perdoa. E o filho dele, o Maxuel, que, por sinal, já tinha nos dado um trabalho na nossa primeira visita. Naquela vez, a gente até tentou se enturmar com ele por causa do filme que ele estava assistindo no notebook, mas saímos do quarto achando que não tínhamos feito muito progresso, sabe? A conexão, infelizmente, não rolou.
Mas, tudo bem, a vida dá mais uma chance, e lá vamos nós, segunda visita, segunda chance. Eu sento e começo a puxar assunto, e solto:
- “Então, o senhor é professor de filosofia, é? Curioso, né…”
Ele, desconfiado, me olhou e fez aquela cara de quem estava processando o que eu tinha dito. Aí o Dr. Ossildo, que não perde tempo nem quando está dormindo, já emendou logo:
- “Sabia que a caverna de Platão tem tudo a ver com o Instagram de hoje em dia?”
Aí o Maxuel, que até então estava meio na dele, parou e me olhou, pensou um pouco e fez aquele gesto de quem está raciocinando… Pensei, “agora vai!”. E o Dr. Ossildo, já vendo que a coisa estava começando a pegar, continuou:
- “Pois é, no mito da caverna, o ser humano só via sombras na parede e achava que aquilo era a realidade. E no Instagram é a mesma coisa, tudo o que aparece ali não é a verdade. A verdadeira verdade é aqui, ó, o que está acontecendo agora…”
O Maxuel ficou pensando, balançou a cabeça, e até concordou, na maior seriedade. Sério, meu amigo, eu fiquei até surpreso com o que ele disse depois! A conversa virou filosofia pura! Até o Dr. Ossildo, que é um dos bobologistas que mais fala bobeira que eu conheço, ficou sério por uns minutos, viu?
Aí, para finalizar, o que eu aprendi naquele dia foi o seguinte: como diz o ditado, “o cliente tem sempre razão”. Pois eu mudei pra: “o acompanhante é quem dita nossa direção”. E o Maxuel, que gostava de filosofar, nos deu o caminho. Agora é seguir!
E quem sabe, na próxima visita, a gente não faça mais um filósofo no Instagram?
Hospital São Judas Tadeu
Dr. Balako
