O Instituto Sociocultural do Hospital de Amor, por meio da Lei Rouanet e com apoio do Ministério da Cultura, realizou mais uma edição do Festival da Cultura Tropeira, um evento que reuniu música, tradição, arte, conhecimento e diversidade cultural no Recinto Paulo de Lima Corrêa, em Barretos (SP).

Paulo Cesar Lopes (Paulinho 1001), coordenador do Festival da Cultura Tropeira.
Durante três dias de programação gratuita, o festival recebeu famílias, crianças, jovens e adultos em uma série de atividades que valorizaram as raízes da cultura sertaneja e tropeira, ao mesmo tempo em que abriram espaço para diferentes manifestações culturais brasileiras.
Mais do que um evento artístico, o Festival da Cultura Tropeira nasceu com o propósito de preservar, resgatar e fortalecer a cultura sertaneja raiz, promovendo o encontro entre gerações e oferecendo experiências culturais acessíveis e inclusivas.
Segundo o coordenador cultural Paulo César, conhecido como Paulinho 1001, realizar o festival no Recinto Paulo de Lima Corrêa torna a iniciativa ainda mais especial.
“Estamos no berço do rodeio brasileiro. O festival tem tudo a ver com a nossa realidade e com a nossa cultura tropeira sertaneja. A proposta é fazer com que as pessoas voltem a frequentar o recinto e revivam as emoções que sempre sentiram aqui, mas agora por meio de uma programação cultural diversificada e voltada para toda a família”, destacou.
Tradição e história marcaram a abertura do festival
A programação teve início com uma apresentação do tradicional grupo de catira Espora de Prata, que celebra 28 anos de história preservando uma das mais importantes expressões da cultura sertaneja.

João Paulo Martins, membro do clube Os Independentes da Festa do Peão de Barretos, e o locutor Johny Barreto.
Na sequência, o Palco Raiz recebeu uma palestra com o locutor Johny Barreto e João Paulo Martins, membro do clube Os Independentes da Festa do Peão de Barretos. Durante o encontro, os convidados compartilharam experiências e histórias ligadas ao universo do rodeio e da cultura tropeira. João Paulo apresentou ao público a trajetória da Queima do Alho, uma das tradições mais emblemáticas do meio sertanejo.
Ao meio-dia, a arena recebeu Ronival Ferreira, conhecido nacionalmente como “Bruxo dos Potros”, que demonstrou sua habilidade e conexão com os animais, encantando o público presente.
Encerrando o primeiro dia, o Coral Céu das Artes subiu ao Palco Principal e emocionou os espectadores com uma apresentação marcada pela sensibilidade e pelo talento de seus integrantes.
Brincadeiras tradicionais e toque do berrante movimentaram o segundo dia
O segundo dia do festival foi marcado pelo resgate das memórias afetivas e das brincadeiras que atravessam gerações.
A programação começou com uma gincana de brinquedos tradicionais, reunindo crianças e adultos em atividades como amarelinha, dança das cadeiras, “Manteiga”, “Escravos de Jó” e “O Coelho Saiu da Toca”.
Para Paulinho 1001, esse momento simbolizou um dos principais objetivos do festival.

Atividade dedicada ao toque do berrante.
“A ideia é fazer com que as famílias saiam de casa e vivam experiências diferentes. Muitas crianças nunca tiveram contato com essas brincadeiras que fizeram parte da infância de seus pais e avós. O festival proporciona esse encontro entre gerações”, afirmou.
Logo após, o próprio Paulinho conduziu uma atividade dedicada ao toque do berrante. Além de explicar os diferentes toques e suas funções históricas, ele promoveu demonstrações práticas e convidou participantes de diferentes idades para experimentar o instrumento.
Durante a programação, a ex-paciente do Hospital de Amor e primeira Rainha do Rodeio Pela Vida, Tarciana Alencar, também participou do festival, interpretando clássicos da música sertaneja e animando o público presente.
Fechando o segundo dia, a Banda Marcial Municipal de Promissão (SP) realizou uma apresentação especial no Palco Principal, reunindo música, disciplina e emoção.

Ex-paciente do Hospital de Amor e primeira Rainha do Rodeio Pela Vida, Tarciana Alencar.
Diversidade cultural ganhou destaque no encerramento
O último dia do Festival da Cultura Tropeira reforçou a proposta de promover o diálogo entre diferentes manifestações culturais brasileiras.

Apresentação da dupla Diogo Viola & Paulinho.
A programação começou com a apresentação da dupla Diogo Viola & Paulinho, que levou ao público clássicos da música sertaneja de raiz e celebrou as tradições do interior do país.
Em seguida, o público conheceu um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido pela Aruanda Brasil. Representada por Tico, a instituição apresentou seus projetos sociais e culturais, acompanhada por uma apresentação de percussão que demonstrou diferentes ritmos e expressões artísticas.
O espetáculo ganhou ainda mais força com a participação do Grupo Interior em Cena, que uniu dança e música em uma apresentação marcada pela integração e pela valorização da diversidade.
Na sequência, uma roda de capoeira levou movimento, história e cultura para o recinto, reforçando o caráter inclusivo do festival.

Capoeira, do projeto Aruanda Brasil.
Segundo Paulinho, a presença dessas manifestações culturais dialoga diretamente com a proposta do evento.
“O Festival da Cultura Tropeira tem como base a cultura sertaneja, mas também abre espaço para outras expressões culturais. O Brasil é formado por diferentes influências, e valorizar essa diversidade é uma forma de fortalecer a nossa própria identidade”, explicou.
Encerrando a programação, a Orquestra de Violas Caipiras da ABECAO, de Olímpia (SP), subiu ao Palco Principal e emocionou o público com um repertório que demonstrou toda a riqueza e a versatilidade da música caipira.
Cultura que conecta gerações
Ao longo dos três dias, o Festival da Cultura Tropeira reuniu tradição, aprendizado, entretenimento e inclusão em uma programação construída para valorizar a cultura brasileira em suas mais diversas formas.
Para Paulinho 1001, o evento complementa o trabalho já realizado pelo Instituto Sociocultural com o tradicional Desfile da Cultura Tropeira.
“Enquanto o desfile leva essa cultura para as ruas da cidade, o festival permite uma experiência mais ampla e imersiva. São projetos que caminham juntos e ajudam a preservar a nossa história, fortalecer nossas raízes e aproximar as pessoas da cultura”, destacou.

Orquestra de Violas Caipiras da ABECAO, de Olímpia (SP).
Com atividades gratuitas e abertas ao público, o Festival da Cultura Tropeira reafirmou seu papel como um espaço de valorização das tradições, de promoção da diversidade cultural e de fortalecimento dos laços entre diferentes gerações.
Foram três dias de troca de experiências, conhecimento, emoção e celebração. Afinal, onde tem cultura, tem o Instituto Sociocultural.
