Foram muitos encontros com o Seu Tião. Ele fez companhia para tanta gente que entrou e saiu do hospital, que parecia já ser parte do lugar. Até que, num dia qualquer, a visita virou brincadeira: nossa conversa se transformou numa lista maluca de números e possibilidades. A regra era clara: cada fala tinha que ser numerada. E aí começou a contagem:
1º Tião falou
2º Alavanka respondeu
3º Ricota entrou na roda
4º Tião retrucou
5º Ricota acrescentou uma graça
6º Alavanka completou
7º Tião contou um causo…
100º Já nem sabíamos o que estávamos numerando, só que tudo virava conta!
E quando achamos que a cabeça ia explodir de tanto calcular, Ricota puxou uma calculadora do bolso e começou outro diálogo:
Primeiro Tião disse: “Vocês chegaram de novo, é?”
Segundo nós confirmamos: “Chegamos, sim senhor!”
Terceiro ele brincou: “Então estamos contando.”
Quarto eu confessei: “Já perdi as contas.”
Quinto Ricota anunciou: “Mas eu tenho uma calculadora!”
Sexto Tião arregalou os olhos: “Uma calculadora?! Então agora a conta vai longe!”
No meio dessa matemática doida, até a calculadora virou cúmplice. Entre falas bobas, risadas e contas sem resultado, descobrimos que até um diálogo numerado pode ser cheio de poesia. E foi assim que, de tanto contar, Seu Tião voltou para casa. Aposto que anda na rua cumprimentando todo mundo em números:
— “Bom dia, Primeiro!”
— “Boa tarde, Segundo!”
— “Até logo, Infinito!”
Palhaça Ricota
Hospital Santa Casa de Misericórdia de Barretos
