Durante os atendimentos, ocorreu um fenômeno bobológico de alta sensibilidade. Uma criança interrompeu o fluxo habitual da bobeira para realizar uma observação direta: afirmou que eu era parecido com seu avô. Diante da informação, foi sugerido que ela enviasse um beijo a ele, como forma simples e eficaz de comunicação afetiva à distância.
A criança, então, informou que seu avô já estava no céu. Houve uma pausa.
Pausa esta classificada pela bobologia como Pausa Cheia — momento em que o silêncio trabalha mais do que qualquer palavra.
Após a pausa, a própria criança solicitou que o beijo fosse enviado. O beijo foi prontamente lançado ao alto, acompanhado da informação científica disponível no momento: de que o avô estava brilhando, assim como a luz do sol que atravessava o teto de vidro do ambulatório.
A criança complementou a pesquisa com uma afirmação conclusiva:
“Meu avô é o sol.”
Diante da confirmação empírica, procedeu-se a um abraço prolongado, seguido de comemoração conjunta pelas saudações trocadas entre terra e céu. O encontro foi encerrado com sensação de calor no peito, brilho nos olhos e a certeza de que a bobologia também estuda estrelas.
Hospital de Amor Infantojuvenil
Dr. Grilo
