Estávamos eu – doutora Ciska que vos fala – e o doutor Balako caminhando, cantando e seguindo a canção nos corredores do Hospital São Judas Tadeu quando encontramos uma acompanhante indo trocar o controle do ar-condicionado. Quando um tantinho mais tarde entramos no seu quarto, ela estava ligando e ajustando o ar-condicionado. Balako já ficou preocupado que a diminuição da temperatura pudesse acabar com seu fogo próprio, mas garantimos que no caso dele isto não seria problema devido ao tamanho da quentura corporal.
A acompanhante ficou na dúvida se o ar-condicionado estava funcionando e o vento saindo e imediatamente me fui para perto do ar para verificar. Mal cheguei perto e a acompanhante disse que iria aumentar o vento, assim que ouvimos o “bip”, fui arrastada fortemente até o outro lado do quarto onde ficava a porta. Balako caiu na risada e foi se achegando até a saída de ar dizendo que eu era uma fracote, pois o vento não podia ser tão…… e a frase não conseguiu ser terminada porque ele também foi levado involuntariamente até o outro lado do quarto.
Começamos uma luta por tentar alcançar o ar-condicionado sem sermos levados pelo seu vento. Balako foi na frente e eu atrás. Tentamos o oposto. Tentamos dispostos. Mas nada. Até que lembrei que não só da chuva ou do sol precisamos nos proteger, mas também do vento, e assim tirei meu mini guarda-chuva do bolso e ao que abri conseguimos cortar o vento e atravessar o quarto novamente.
Então, Balako – que em raros momentos usa seu supercérebro ervilhístico – sugeriu que deveríamos soltar pipas no quarto pois o vento estava favorável para isto. A paciente e acompanhante aprovaram a ideia já que muito haviam soltado pipa em suas infâncias. Saímos faceiros do quarto comentando que traríamos uma sacola e um barbante para fazermos uma pipa.
Dra. Ciska
