Senhoras e senhores, eu, Dra. Ricota, venho contar sobre dois encontros hospitalares mais recheados de amor do que pamonha no São João. Eles aconteceram na unidade adulta do Hospital de Amor e no Hospital São Judas Tadeu, e envolvem dois casais diferentes que nunca se viram, mas que eu acompanhei por várias visitas seguidas. A semelhança no afeto entre eles é… bastante semelhante (como diria uma especialista em redundâncias poéticas)
E você pode estar se perguntando: “mas Ricota, o que isso tem a ver com palhaçaria?”. Eu respondo com tranquilidade: tudo. Esses casais foram os mais atentos, apaixonados e dançantes do nosso ilustre Cortejo Junino. Cada casal vai ganhar um nome…
Chico e Chica
Conheci o casal na época em que eu e o Dr. Ossildo fazíamos nossas consultas bobológicas. A Chica era daquelas pessoas que chegam já decidindo tudo. Certa vez, no meio da visita, me puxou com firmeza pra fora da sala onde o Chico fazia quimioterapia. Pensei que vinha bronca. Mas não: era contrabando. Ela abriu a bolsa e disse:
— “Escolhe um brinco.”
Tentei recusar, mas ela tinha mais determinação do que eu diante de um queijo. Resultado: saí de lá com o brinco e com a sensação de que tinha participado de um pequeno tráfico de presentes.
Desde então, a Chica virou minha fiscal oficial de figurino. Toda vez que me via, perguntava:
— “Tá com o brinco, né?”
O Chico era mais na dele. Ficava no canto, observando tudo com aquele olhar de quem sabe que palhaço apronta, mas deixa porque gosta. No dia do Cortejo Junino, encontrei a Chica no corredor. Ela soltou um:
— “Lembra de mim?”
E é claro que eu lembrava! O brinco tava comigo até hoje!
Fui até o quarto e lá estava o Chico, todo empolgado com a folia. Começou a dançar. O homem já tava com um molejo no corpo que eu jamais imaginaria. Era sanfona na alma, zabumba no quadril e um sorrisinho no canto da boca que dizia: “Hoje eu tô no clima da festa”. Dançamos juntos, cada um no seu quadrado, mas em total sincronia. A Chica? Gravando tudo como boa videomaker que é. E, no fim, checando discretamente se eu ainda estava com o brinco.
Tonho e Tininha
Se Chico e Chica me ensinaram sobre presentes clandestinos, Tonho e Tininha me revelaram o poder do agito inesperado. Durante o Cortejo, fui surpreendida pela Tininha, que apareceu na porta com um sorrisão:
— “Ele tava te esperando!”
Fiquei na porta do quarto achando que ia encontrar o Tonho deitadinho, tranquilo. Que nada! Ele já estava sentadinho bem direcionado para a porta e acompanhou a malemolência de todos com um pequeno gingado no corpo e um grande sorriso no rosto. A Tininha, apaixonada, só observava toda orgulhosa. E eu? Eu segui o arrasta-pé.
Conclusão Bobológica
Chico e Chica, Tonho e Tininha. Casais diferentes, mas com algo em comum: o amor dançante e a disposição para brincar. Foram encontros cheios de afeto, risadas e passos de dança… no fundo, a gente sabe: é festa de São João!
Dra. Ricota
