Eu, Dr. Baltazar, e o Dr. JP entramos no quarto e fomos imediatamente avisados pela Dona Maria, recém-operada, de que ela não podia rir de jeito nenhum. Levamos a informação muito a sério e, justamente por isso, propusemos uma solução científica: um concurso de piores piadas, para garantir que ninguém risse.
Combinamos que quem contasse a pior piada ganharia o respeito do outro.
O Dr. JP começou perguntando por que a Xuxa tinha ido ao bar. Ninguém soube responder. Nem nós. Ele então explicou que ela tinha ido tomar ca-xaxa. Achamos terrível. Exatamente como planejado.
Na minha vez, perguntei o que a uva verde falou para a uva roxa. Todos ficaram em silêncio. Respondi com convicção: “Respira.” Consideramos a piada profundamente ruim.
Animado, o Dr. JP perguntou o que era um ponto verde na neve. Depois de um suspense desnecessário, respondeu: um pinguim… de verde. O nível caiu ainda mais, o que nos deixou satisfeitos.
Foi nesse momento que algo deu errado.
A Dona Maria começou a rir. Primeiro baixinho, depois mais forte. Outras pessoas no quarto também riram. Alguns pacientes riram. A situação saiu completamente do controle.
Nós imediatamente avisamos que ela não podia rir, afinal as piadas eram muito ruins. Ruins demais para causar riso. Mesmo assim, o riso continuou.
Diante do fracasso científico, eu e o Dr. JP saímos do quarto discutindo, profundamente irritados, acusando um ao outro de contar piadas boas demais. Concordamos apenas em uma coisa: nossas piadas não estavam ruins o suficiente.
Dr. Baltazar
Alexandre Souza
