Relatórios Bobológicos

Concurso de pior piada

3/02/26

Eu, Dr. Baltazar, e o Dr. JP entramos no quarto e fomos imediatamente avisados pela Dona  Maria, recém-operada, de que ela não podia rir de jeito nenhum. Levamos a informação  muito a sério e, justamente por isso, propusemos uma solução científica: um concurso de  piores piadas, para garantir que ninguém risse.

Combinamos que quem contasse a pior piada ganharia o respeito do outro.

O Dr. JP começou perguntando por que a Xuxa tinha ido ao bar. Ninguém soube responder.  Nem nós. Ele então explicou que ela tinha ido tomar ca-xaxa. Achamos terrível. Exatamente  como planejado.

Na minha vez, perguntei o que a uva verde falou para a uva roxa. Todos ficaram em  silêncio. Respondi com convicção: “Respira.” Consideramos a piada profundamente ruim.

Animado, o Dr. JP perguntou o que era um ponto verde na neve. Depois de um suspense  desnecessário, respondeu: um pinguim… de verde. O nível caiu ainda mais, o que nos  deixou satisfeitos.

Foi nesse momento que algo deu errado.

A Dona Maria começou a rir. Primeiro baixinho, depois mais forte. Outras pessoas no quarto  também riram. Alguns pacientes riram. A situação saiu completamente do controle.

Nós imediatamente avisamos que ela não podia rir, afinal as piadas eram muito ruins. Ruins  demais para causar riso. Mesmo assim, o riso continuou.

Diante do fracasso científico, eu e o Dr. JP saímos do quarto discutindo, profundamente  irritados, acusando um ao outro de contar piadas boas demais. Concordamos apenas em  uma coisa: nossas piadas não estavam ruins o suficiente.

Dr. Baltazar
Alexandre Souza