Quem nunca levou um susto de uma criança, não é mesmo?
Entramos em um dos quartos para realizar mais um atendimento e encontramos a paciente sentada na cama, mexendo no celular — que imediatamente desapareceu debaixo dos lençóis no momento em que entramos.
Ficamos desesperados. Como aquela criança sumiu bem na nossa frente?
Procuramos por todo o quarto: embaixo da cama, dentro dos armários, atrás do sofá, até dentro do pote de frutas… e nada da paciente aparecer. Começamos a ficar preocupados, principalmente porque a mãe estava rindo — aquele riso nervoso, como quem pensa: “será que minha filha evaporou mesmo?” Mas era tudo parte do plano.
Quando menos esperávamos, a paciente surgiu, fazendo um som tenebroso para nos assustar:
— BÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚ!
Demos um pulo. Dra. Alavanka chegou a desmaiar nos meus braços, de susto!
Ufa! Ela apareceu. Mas não por muito tempo.
Quando olhamos novamente… cadê? Tinha sumido de novo!
Recomeçamos a busca. Nada. Até que, de repente:
— BÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚ!
Mais um susto. Mais um desmaio.
Depois de muitas aventuras, era hora de partir — ainda tínhamos outras crianças para visitar. Saímos do quarto tomando mais um susto, fechamos a porta…
— BÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚ!
Dessa vez, era a nossa vez de assustar. Mas a reação dela, sentada na cama, foi uma gargalhada deliciosa. E foi aí que percebemos:
Somos mesmo muito bons… em sermos assustados.
Dr. Grilo
