Um dos pilares do nosso trabalho é conseguir nos conectarmos com as pessoas, sejam elas crianças ou não. Às vezes essa conexão acontece rápido, já no primeiro encontro, em outros momentos pode demorar semanas, e haverá casos em que isso nem vai acontecer. Ócios do ofício…
Mas esse caso de conexão foi um sucesso. Sim, conseguimos nos conectar com mais um paciente e não foi qualquer paciente, era um paciente de pouca idade, talvez um ou dois anos, que chorava quando chegamos ou simplesmente corria para o colo do pai para ficar nos observando, mas de longe e nada de proximidade.
Sai semana, entra semana e seguíamos na missão de tentar uma proximidade maior como ele. Num certo dia, estávamos procurando uma estrela que tinha sumido do céu na noite anterior e recebemos informações ultra confidenciais da equipe de enfermagem, que a possível estrela poderia estar no quarto desse paciente. Logo nos aprontamos e fomos entrando.
Para a surpresa de zero pessoas, o paciente quando nos avistou tratou de levantar e correr para o braço da mãe que estava acompanhando-o naquele dia, como estávamos preocupados com o sumiço da estrela e logo a noite chegaria novamente, tratamos de informá-los que estávamos procurando a estrela e pedimos licença para revirar aquele quarto escuro, pois acreditávamos que a estrela podia estar ali.
Após procurar por diversos lugares e sem o choro do paciente que nos olhava atentamente, tivemos uma surpresa, graças à minha lanterna que ilumina no escuro, conseguimos localizar a estrela que estava “projetada” na parede do quarto.
Uau!! Que estrela linda, brilhava feito uma pedra preciosa, encantou todos que estavam presentes no quarto. Após ficarmos encantando com seu brilho, tínhamos a missão de levar a estrela para fora do hospital e soltá-la novamente, assim ela voltaria para o céu e brilharia para muitas pessoas.
Enquanto saímos do quarto encantados pelo brilho da estrela, tivemos uma nova surpresa. Fomos interrompidos pelo choro do paciente, mas dessa vez não era porque estávamos chegando e sim porque estávamos indo embora levando todo o brilho causado pela beleza da estrela.
Seguimos por mais alguns minutos contemplando o brilho da estrela, nos despedimos e levamos a estrela para ser entregue aos céus! Até hoje ela segue brilhando, sua luz é inconfundível. Se ficou curioso (a), basta olhar para o céu e procurar a estrela mais luminosa…
Unidade infantojuvenil do Hospital de Amor
Dr. Grilo
