Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde mental pode ser considerada um estado de bem-estar vivido pelo indivíduo, que possibilita o desenvolvimento de suas habilidades pessoais para responder aos desafios da vida e contribuir com a comunidade. Portanto, não cuidar da saúde mental é impedir o bom funcionamento do corpo e da mente.
O cuidado com a saúde mental é um assunto que está cada vez mais em evidência, inclusive no ambiente de trabalho. Assim como outros fatores, o local onde o indivíduo está inserido contribui – positivamente ou negativamente – para a saúde mental. De acordo com a Universidade Paulista (USP), em 2024, mais de 472 mil licenças médicas foram concedidas no Brasil, responsáveis por 68% dos afastamentos do trabalho por transtornos mentais.
Segundo a OMS, a depressão ocupa o 1º lugar no ranking de doenças, quando considerado o tempo vivido com incapacitação ao longo da vida (11,9%). A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) relatou, em relatório apresentado em 2019, que o Brasil apresenta as maiores taxas de incapacidade causada por depressão (9,3%) e ansiedade (7,5%) do continente americano. Diante desses dados preocupantes, é extremamente necessário instituir uma política de prevenção. Sabendo do aumento do índice de pessoas afetadas, o governo federal publicou, em abril de 2018, a Lei nº 13.819/2019, que regulamenta a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, estimulando ainda mais iniciativas que promovam o bem-estar e a saúde mental.
Ao falar sobre saúde mental, o psicólogo do Hospital de Amor, Ray Nascimento, destaca a importância de abordarmos abertamente os transtornos mentais. “No que diz respeito ao nosso país, sabe-se que o Brasil tem maior quadro de ansiedade em comparação a demais países. Então, falar sobre saúde mental é divulgar dados, conscientizar e quebrar tabus sobre a temática”, afirma ele.
Uma das medidas para enfrentar essa crise e contribuir com o bem-estar dos colaboradores é desenvolver projetos que promovam a saúde mental e proporcionem momentos de relaxamento aos profissionais. No Hospital de Amor, mensalmente, acontece um projeto chamado “Cuidando de Quem Cuida”.

O Cuidando de Quem Cuida é realizado em parceria com o Ministério da Cultura, com apoio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Essa ação tem como objetivo reconhecer, valorizar e agradecer o compromisso dos colaboradores da instituição. Além disso, busca oferecer um espaço de discussão em grupo, favorecendo o compartilhamento de vivências.
Em cada encontro, um palestrante é convidado para abordar temas cotidianos, políticos, religiosos, financeiros ou comportamentais. As palestras contribuem para o bem-estar dos participantes, sendo uma ferramenta importante para a saúde mental — ajudando-os a (re)conhecer suas forças, respeitar seus limites e vivenciar uma nova experiência na prática do cuidar.
Desta vez, no mês de maio – mês em que celebramos o Dia do Trabalhador e a importância de sua contribuição para a sociedade – a convidada foi a especialista em Gestão de Pessoas, com foco em inteligência emocional e comunicação não-violenta, Cinthia Cruz.
Graduada em Psicologia e pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental, Cinthia é membro da BCI – Behavior Coaching Institute – e mestranda em Ciências Humanas pela Universidade de Santo Amaro. Além disso, foi professora universitária de pós-graduação e possui vasta experiência em atendimento psicológico e terapêutico, tanto individual quanto em grupo.

Especialista em Gestão de Pessoas, com foco em inteligência emocional e comunicação não-violenta, Cinthia Cruz.
Ao ser questionada sobre a importância da psicologia, ela relata que busca traduzir sua profissão de forma prática, contribuindo assim para o bem-estar das pessoas. “A psicologia é minha maior paixão. Eu dedico minha vida a traduzi-la da forma mais prática possível, observando, analisando e alterando comportamentos, para que as pessoas tenham mais qualidade de vida”, destaca.
Com a palestra “Autocuidado Emocional e Saúde Mental”, Cinthia conversou com os colaboradores do Hospital de Amor e fez uma pergunta provocativa: “Quem cuida de quem cuida?”. A partir disso, trouxe diversos dados do Hospital de Amor para instigar e valorizar os profissionais, mostrando que eles eram responsáveis por diversas conquistas institucionais.
Além disso, compartilhou a vivência de sua tia – que por muitos anos ajudou o próximo e esqueceu de cuidar da própria saúde – e contou a história de Tom, seu primo que realizou tratamento oncológico no Hospital de Amor. Ele recebeu todo o cuidado, carinho e humanização da equipe, mas infelizmente faleceu.
Emocionada, ela relatou como foi essa trajetória e o que aprendeu com ela. Assim, deixou um conselho aos colaboradores do Hospital de Amor:
“O autocuidado pode ser mais simples do que a gente imagina e é necessário se olhar com carinho e cuidar de nós mesmos. Então, parar um pouco; respirar; reservar um tempo para estar com quem ama; conseguir caminhar; e comer algo melhor, já é olhar para si mesmo, já é autocuidado.”
Ao ser questionada sobre a experiência de voltar à instituição para palestrar para os colaboradores que já conhecia, Cinthia desabafou:
“O Hospital de Amor, para a gente, para a minha família, tem um lugar imenso no nosso coração. Estar aqui hoje palestrando e podendo oferecer um pouco de cuidado para quem cuidou de alguém que a gente ama tanto é… eu fico emocionada.”
