Entramos eu e doutor Balako no quarto do paciente que estava acompanhado de seu irmão, sua cunhada e seu sobrinho, este último recebendo manteiga de cacau nos lábios.
- Que cor é esse batom? Também quero passar – já chegou o Balako dizendo. O menino explicou que tava com os lábios rachados por causa do tempo que tinha esfriado e era seco, que eles vieram de Brasília.
- E qual que era a cor da brasília? Amarela igual à da música? – perguntei e eles riram.
- Mas e quem que veio dirigindo? – o Balako querendo dicas de direção. O pai que tava só de riso levantou a mão. E eu perguntei:
- E tu não dividiu a direção com o Murilo*?
- Não porque eu sou menor de idade, mas meu tio já me ensinou a dirigir. – falou o Murilo apontando pro paciente.
Foi aí que de repente a gente tava dentro do carro do Murilo, dentro do quarto do seu tio, com os pais dele assistindo o talento dele na direção. O Murilo entrou pela porta do motorista, o Balako foi do lado pra ir pegando as dicas e eu fui atrás porque não podia perder essa carona. O Murilo foi dando a aula pra gente: afivelando o cinto, conferindo os espelhos, ajeitando o banco e…
- Opa! Pera, pera. – falei saindo do carro e olhando em volta do carro. Voltei pro meu lugar, afivelei o cinto e com todos me olhando intrigados – Alguém tinha que conferir se os pneus tavam cheinhos!
Quando o Murilo ia dar a partida, o Balako:
- MURILO! Conferiu se a buzina tá funcionando? – E fizemos a checagem com o Murilo fazendo o som da buzina em agudo e em grave pra cada tipo de necessidade.
Quando o Murilo ia dar a partida…
- Ih, gente! Esqueci que a bateria acabou! – disse ele rindo da nossa cara.
Saímos indignados que íamos ter que continuar andando a pé dentro do hospital.
*Nome fictício.
Hospital São Judas Dra. Ciska
