Neste mês, a edição do Cuidando de Quem Cuida — projeto de humanização do Instituto Sociocultural do Hospital de Amor, viabilizado pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet — contou com a presença da médica, escritora, palestrante e professora brasileira Ana Claudia Quintana Arantes, reconhecida pelo seu trabalho pioneiro em cuidados paliativos, envelhecimento e abordagem humanizada da morte e do luto.

Ana Claudia Quintana Arantes
Conhecida pelo livro A morte é um dia que vale a pena viver e outras obras, Ana Claudia já conhecia o Hospital de Amor e voltou à instituição para participar de mais uma edição do projeto.
Sua relação com a instituição vem de algum tempo. Em 2009, ela conheceu o Hospital de Amor por meio de uma caravana e fez uma imersão de um dia na unidade de cuidados paliativos e atenção primária ao idoso, o Hospital São Judas Tadeu.
Nesse período, ela destacou a importância do trabalho realizado na unidade de cuidados paliativos do Hospital de Amor. O cuidado é parte da rotina dos profissionais de saúde e demais colaboradores da unidade, já que um dos objetivos da instituição é dar vida aos dias dos pacientes em tratamento paliativo.
A morte ainda é um tabu, especialmente quando se está doente, mas é fundamental que esse tema seja discutido. Segundo Ana Claudia, essa conversa ganhou relevância devido às experiências dos pacientes e familiares que vivem esse processo. “Quando você se percebe finito, isso se torna um tabu, porque temos uma pulsão de vida. Porém, a dificuldade de falar sobre o assunto faz com que o paciente seja visto apenas como uma doença. Quando a situação não tem mais solução, a doença parece ‘vencer’ o paciente, e surge a expressão: ‘o paciente perdeu para o câncer’.”
Com a palestra “Faça a sua vida valer a pena”, Ana Claudia Quintana esteve no Hospital de Amor para conversar com os colaboradores durante a 4ª edição do Cuidando de Quem Cuida deste ano. O projeto oferece aos colaboradores um espaço para discussões em grupo, favorecendo o compartilhamento de vivências sobre diversos temas do cotidiano, incluindo política, religião, finanças e comportamento.
Ao falar sobre a importância de cuidar dos colaboradores, Ana Claudia ressaltou que quem cuida também precisa de atenção. “Uma pessoa que não recebe cuidado, ou não se percebe digna de cuidado, pode acabar causando danos a quem está ao seu redor.”
Além disso, ela enfatizou a responsabilidade de todos, independentemente da profissão, de cuidar da própria saúde física e mental. “A única pessoa que certamente estará presente no dia da sua morte é você mesmo. É preciso gostar da própria companhia para estar ao lado de si nessa hora.”
Durante sua fala, a médica trouxe reflexões sobre cuidados paliativos, momentos de vulnerabilidade e o tema tão temido: a morte. Ela destacou:
“Atendemos pacientes em extrema vulnerabilidade e fragilidade, e cabe a nós oferecermos a eles a esperança de encontrar alguém que realmente valha a pena conhecer. Nos momentos mais difíceis de suas vidas, esses pacientes precisam de pessoas responsáveis, pois as lembranças que deixarmos farão parte da história deles. Não renunciem ao privilégio de compartilhar a última cena da vida de alguém.”
Ao final da palestra, Dra. Ana Claudia convidou os presentes a refletirem sobre propósito e rotina: “Olhem para este espaço, para este momento e para o propósito do Hospital de Amor. Que esse sentimento de paz, ação e responsabilidade se torne parte do dia a dia de vocês.”

