Durante séculos, a arte afro-brasileira trilhou um percurso árduo e longo, conquistando assim, sua própria criatividade e autonomia. Em sua trajetória, a arte afro-brasileira, em meio a um mundo escravocrata, teve seus ganhos, assim como perdas e muitas mudanças.
Sempre alimentada pelas raízes africanas, essas mudanças fazem parte, pois a mistura com a sociedade brasileira na época, era parte da construção dessa identidade, a que chamamos hoje de “Arte Afro-brasileira”. Sobre o desenvolvimento e construção da sociedade, da arte e cultura afro, o sociólogo Gilberto Freyre, considerou o negro como um “co-colonizador, apesar da sua condição de escravo”.
Iniciando a cultura afro-brasileira com a chegada dos escravos ao país, primeiramente as artes produzidas localmente eram na verdade releituras e recriações das obras vinda da cultura africana, porém ao passar do tempo, ficou cada vez mais eminente que a principal herança deixada pela cultura africana foram os sentimentos e os valores emocionais deixados para as comunidades descendentes que já possuíam um caráter cultural já constituído.
Muito das artes e os elementos artísticos produzidos esculturalmente e artesanalmente pelos afrodescendentes no período colonial e imperial, foi uma união com as culturas portuguesas e indígenas presentes no convívio dos escravos.
Além do destaque artístico afro-brasileiro nas esculturas e pinturas durante o período barroco, a arte musical foi notoriamente a mais difundida e até hoje repassada e ensinada para as novas gerações. Através dos atabaques, agogôs, tambores e berimbaus, a música afro-brasileira é ainda disseminada através das religiões, dos ensinos culturais e também pela capoeira.
Artistas afro-brasileiros como, Djanira da Motta e Silva, José de Dome, Antonio Bandeira, Otávio Araújo, Maria Auxiliadora, Emanoel Araújo, Ruth de Souza, Conceição Evaristo e Maria Firmino dos Reis, são alguns dos artistas que fizeram parte e deixaram uma herança riquíssima, de arte e cultura, capaz de transformar o meio em que vivemos.
Hoje, a arte afro-brasileira é parte de nós e amamos tê-la na fotografia, na música, nas artes plásticas, no teatro e também no circo.
Que a nossa visão sobre a arte e cultura afro, possa ser de fato, uma porta para ver além do que conhecemos. A arte transforma.
