Relatórios Bobológicos

A extraordinária origem do Hulk-Aranha!

9/09/24

Hoje venho aqui contar a origem do nascimento de um super-herói! Contando que esse espaço de escrita do relatório bobológico é um lugar seguro, onde nossas informações sigilosas ficam em segredo, devo começar essa história falando de um ser humano comum, pois nem todos os super-heróis nascem com poderes, alguns, como neste caso, adquirem poderes por um leve toque do destino…

Seu nome (reforço, por favor, que o leitor mantenha em segredo a identidade do nosso herói) é Bruce Morales. Uma criança sorridente, de pele clara e com uma ótima memória.

Eu já havia encontrado Bruce Morales outras vezes pelo hospital, no corredor, na internação e desta vez, ele estava na UTI. Bruce Morales se lembrou do meu nome e do nome da minha dupla, a Dra. Alavanka. Ele também lembrava do nome de outros bobologistas que já viu, como, o Dr. Figuerino e a Dra. Ricota.

Eu poderia aqui citar exemplos das habilidades e poderes que fazem parte do repertório do Extraordinário Hulk-Aranha. Mas para que você, caro leitor, entenda a dimensão dessa história. Precisamos voltar um pouco no tempo, há dois dias quando não tínhamos ideia de que estávamos na frente de um extraordinário SUPER-HERÓI.

HÁ DOIS DIAS

Eu e Dra. Alavanka curtindo no hospital, aprontando de montão, contando piadas hilárias para quem quisesse ouvir. Chegamos na UTI e antes que pudéssemos fazer qualquer coisa, ouvimos a voz de Bruce Morales dizendo nossos nomes. Ele estava pintando alguns desenhos de seus heróis favoritos.

Eu e Dra. Alavanka, como bons apreciadores de arte que somos, admiramos suas obras. Entramos no papo de super-heróis e começamos a falar alguns absurdos (vale colocar que em vários momentos eu e a Alavanka falamos diversos absurdos para os pacientes).
Falamos coisas tão malucas que as pessoas em volta nem dão credibilidade aos nossos argumentos. Aliás, fizemos um trabalho de descredibilização tão eficiente no hospital infantil que pouca gente (incluindo pacientes, acompanhantes e funcionários) acreditam no que falamos. Já falamos que a gente iria abrir um buracão no teto para arejar o quarto de uma criança; já falamos em pegar todas as portas do hospital para fazer uma fogueira; já recrutamos funcionários para as olimpíadas de Paris para participarem conosco do salto sincronizado colocando todo mundo para pular ao mesmo tempo, entre outras coisas.
Porém a vida tende a nos surpreender. A vida tende a nos dar uma rasteira fazendo a gente cair com os fundilhos no chão.

Neste dia com o Bruce Morales, eu e a Alavanka compartilhamos alguns devaneios imagéticos sobre como seria se Bruce Morales fosse um super-herói. Viajamos na maionese.

Ele disse que gostava do Hulk e do Homem-Aranha, então, concluímos que ele seria o “Hulk-Aranha”. A Alavanka disse que pegaria as teias de aranha da sua casa para fazer as teias dele. Eu disse que seria muito legal pintar Bruce Morales todo de verde para ele ativar sua parte Hulk. E que para que ele pudesse subir nas paredes que nem o Homem-Aranha, podíamos tascar durex nas mãos e nos pés dele.

Estávamos devaneando essas coisas, Bruce Morales pareceu gostar e aprovar todas nossas sugestões. Resolvemos então perguntar para a mãe de Bruce Morales se ela aprovava e permitiria que fizéssemos tudo aquilo, para a nossa surpresa, ela abriu um sorriso e disse que sim.
Nesse momento começamos a ter uma leve dimensão da situação que construímos. Então, fomos perguntar para a outra autoridade no local, a enfermeira, se podíamos fazer tudo aquilo que falamos. Fizemos questão de listar tudo: pintar o Bruce Morales todo de verde; trazer teias de aranha da casa da Alavanka para o hospital; e tascar durex nas mãos e pés dele para que ele possa subir na parede.

Para nossa surpresa, a enfermeira disse que sim! Até nos explicou como funciona o fluxo para pedidos de materiais no hospital para conseguirmos o durex e a tinta verde. Nesse dia em específico, as pessoas estavam nos levando mais a sério do que de costume.

HÁ UM DIA

Estávamos eu e a Dra. Alavanka trabalhando no hospital, curtindo de montão, quando, de repente, não mais que de repente, uma das funcionárias do hospital nos trouxe a notícia de que o Bruce Morales está muito empolgado para nos ver porque iriamos pintá-lo de verde e ajudá-lo a escalar paredes com durex, se transformando assim, no Hulk-Aranha!
Como eu disse no começo deste relato, Bruce Morales tem uma ótima memória…

AGORA

Um super-herói pode surgir de que forma? Inalando um gás por acidente como o Super Shock? Sendo exposto a luz solar que nem o Superman? Superando os seus medos como Chapolin Colorado? O nosso herói surge da promessa maluca feita por dois palhaços bobologistas!
Sim, hoje nasceu o extraordinário ‘Hulk-Aranha’! Picado por uma aranha radioativa que foi submetida a uma experiência no qual foi exposta a raios gama. Com incríveis poderes de aracnídeo e força avassaladora, ele anda pelas paredes, joga teias pelas mãos, fica verde que nem abacate, salta pelos prédios e é praticamente invencível!
Agora, convido você, caro leitor, a cantar conosco em homenagem ao surgimento desse grande herói:

“Hulk-Aranha, Hulk-Aranha
Ele é Hulk e Homem-Aranha
Subindo pelas paredes e com força descomunal
CUIDADO!
Ele é o Hulk-Aranha
CUIDADO!
Ele é o Hulk-Aranha”

Hospital de Amor – Unidade Infantojuvenil
Dr. João Pimentão