Eu, Dr. Baltazar, e o Dr. João Pimentão entramos no quarto em pleno exercício da nossa seriedade científica. Conversávamos entre nós sobre assuntos importantes demais para serem explicados, quando a paciente nos observou atentamente e afirmou, com absoluta tranquilidade, que nós éramos palhaços.
Imediatamente o Dr. JP se apressou em esclarecer o equívoco. Disse que não éramos palhaços, porque, se fôssemos, estaríamos usando roupa de palhaço. Enquanto ele falava, eu o observei com mais cuidado… e lá estava: a roupa claramente de palhaço.
O Dr. JP continuou, ainda mais seguro, explicando que, se fôssemos palhaços, estaríamos com maquiagem de palhaço. Aproximei o olhar e percebi cada detalhe em seu rosto. Maquiagem de palhaço. Sem dúvida.
Ele seguiu firme no raciocínio lógico, afirmando que, se fôssemos palhaços, estaríamos usando sapatos de palhaço. Nesse momento, observei seus pés… e depois os meus. Sapatos inegavelmente palhacescos.
Enquanto o Dr. JP provava, com argumentos cada vez mais convincentes, que não éramos palhaços, fui percebendo que ele era palhaço. E, pouco depois, percebi algo ainda mais grave: eu também.
O Dr. JP parou de falar. Me olhou. Eu olhei para ele. O entendimento chegou atrasado, porém completo.
— Espera…
— A gente era palhaço.
A paciente sorriu, satisfeita com a confirmação científica de algo que ela já sabia desde o início. Relatório encerrado com descoberta tardia, surpresa mútua e riso devidamente liberado, sem necessidade de prescrição.
Dr. Baltazar
