O Palhaço tem o poder de acessar o lado mais sensível das pessoas — seja através de uma piada, uma brincadeira, uma conversa ou uma música. Geralmente, podemos escolher alguns caminhos para seguir, transitando por diversas emoções entre risos e choros, espanto ou alegria.
Mas algumas reações podem nos pegar completamente desprevenidos.
Durante a visita a uma paciente já conhecida da equipe, começamos a brincar com os sons dos pássaros. Ela sorriu, reconhecendo imediatamente o jogo, e seguimos nessa conversa musical que misturava canto, memória e delicadeza.
E então, como num passe de mágica, Dr. Figuerino — sempre atento ao menor sopro do mundo — pareceu ser guiado pelo próprio canto imaginário dos pássaros. Ele convenceu um deles a “visitar” a paciente, que recordava a bela canção que costumávamos tocar enquanto ela dormia no pós-operatório. Conduzido pelas mãos do Palhaço, o pássaro seguiu em direção ao delicado dedo da paciente, que agora acordada se encantava com a música enquanto a pequena ave se equilibrava com o bico.
Uma cena linda — palavras me faltam para transpor todo esse encantamento.
Mas a vida é cheia de surpresas e emoções. Saímos do quarto ao balanço do pássaro e ao som da canção, e nos deparamos com uma enfermeira muito querida no balcão. Como nosso pássaro é livre, ele voou em direção ao delicado dedo dela. Enquanto o pássaro novamente se equilibrava ao som da canção, o vento soprou emoção: lágrimas começaram a escorrer pelos olhos da enfermeira, gerando mais um encontro cheio de sensibilidade e beleza.
Hospital de Amor Infantojuvenil
Dr. Grilo
