Relatórios Bobológicos

A conquista da jurada imbatível

25/07/25

Você já participou do programa The Voice? Não?! Pois é, eu também não, até esses dias, que, na verdade, nem foi bem que eu participei, mas que a situação me fez sentir como se tivesse, isso fez.

Agora, se você já ouviu falar no programa, eu vou dar uma explicada, porque, olha, a coisa ficou tão interessante que só vendo para acreditar. O The Voice é um programa de televisão onde o povo canta, né? Só que o negócio lá é diferente: os jurados estão de costas, escutando a pessoa cantar e, se gostarem, eles apertam um botão e a cadeira vira. Se a cadeira vira, meu amigo, é como se fosse uma aprovação divina – ou quase isso, quem é que não queria um “sim” desses, né? Aí o cantor já fica todo animado, achando que agora é o novo rei da música.

Pronto, com isso, você já sabe o que é o programa, mas agora, segura essa, porque eu vou te contar o que aconteceu comigo e, ó, a história tem mais reviravolta do que novela das nove.

A gente foi fazer uma visita domiciliar, eu, Balako, Ossildo, a enfermeira Lândina e a médica Daniela. Chegamos na casa de uma paciente que, segundo o diagnóstico, era uma senhora já bem idosa e com Alzheimer, o que não ajuda muito na conversa, mas faz o desafio ser ainda maior. A gente chegou, foi bem recebido pela filha da paciente, a Geralda, e pela simpaticíssima Dona Tereza, que é a secretária do lar. Tudo muito bom, tudo muito bem.

Mas o grande lance foi quando a gente entrou na sala e encontrou a Dona Maria, nossa paciente, quer dizer, a nossa jurada, já com a cabeça baixa, ouvindo tudo sem muita reação. Aí pensei, “Eita, essa aqui vai ser difícil de conquistar, é mais fechada que ovo de codorna.” Mas a vida é uma peça de teatro e o show não pode parar! Então, fomos lá, nos apresentamos, fizemos um monte de bobagem para quebrar o gelo, e a Dona Maria… abaixou ainda mais a cabeça. Aí eu pensei, “Pronto, agora é que lascou. Se fosse o The Voice, já estava fora da competição!”

Mas sabe como é, né? A gente não desiste fácil. Ficamos uma tarde inteira tentando engatar um papo com Dona Maria. A Lândina e a Daniela estavam lá na outra sala, conversando com a Geralda, e nós três nós viramos nos 30, tentando, de tudo, pra ver se arrumava uma conexão.

Cantamos de tudo um pouco: de Galopeira a Quem me Ensinou a Nadar, dançamos que nem uns malucos, teve até uma hora que apareceu um sapo e a gente fez uma coreografia de câmera lenta que foi um sucesso, mais do que deveria. Até o neto de Dona Maria apareceu, com a cara de quem tinha saído de um dos quartos, e a gente começou a pensar que, se não ganhasse a Dona Maria com música, pelo menos a gente ganhava o neto no negócio.

Resultado? A mulher levantou a cabeça pra olhar a gente, pelo menos umas 13 vezes, e ainda sorriu pra gente como quem diz: “Vai, não é que vocês são engraçadinhos, viu?” Eu não ia me gabar não, mas acho que, no fim das contas, a gente conquistou a jurada!

Agora, se fosse o The Voice, eu até pensava em apertar o botão, mas já que não tem programa de TV envolvido, eu me contento com o sorriso de Dona Maria, e pronto. O que é uma vitória para nós, meus amigos.

 

Hospital São Judas Tadeu | Visita Domiciliar
Dr. Balako