O Hospital de Amor busca atender seus pacientes e familiares com amor, dignidade e respeito. Da mesma forma, o Instituto Sociocultural da instituição desempenha um papel fundamental no apoio e na promoção de ações que democratizam o acesso à cultura e ao conhecimento. Entre suas iniciativas, destaca-se a disseminação de conteúdos que informam a população sobre a importância dos serviços e tratamentos oferecidos pelo HA, incluindo a relevância dos cuidados paliativos.
Com esse propósito, o Instituto Sociocultural desenvolveu um projeto especial voltado ao tema do luto. Intitulado “Luto e Religião”, o projeto contou com três palestras: duas ministradas pela psicóloga Maria Helena Franco e a última conduzida pelo psicólogo Alexandre Venancio de Souza. A iniciativa foi viabilizada por meio do Ministério da Cultura, através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
Luto e religião – primeira palestra:
No dia 7 de maio, às 19h, o ISHA apresentou a primeira palestra da webinar “Luto e Religião”. Com o título “A Morte em Diferentes Culturas”, o bate-papo foi ministrado pela psicóloga, doutora em Psicologia Clínica e especialista em Cuidados Paliativos, Prof.ª Dra. Maria Helena Franco, com mediação da médica paliativista da Unidade Infantojuvenil do HA, Dra. Erica Boldrini.
Durante o encontro, estruturado no formato “perguntas e respostas”, a psicóloga falou sobre a importância das diferentes religiões no processo de luto. “A religião atende a necessidade do ser humano desde sempre, ela tem um lugar de relevância. Para o processo de luto, a religião pode oferecer um lugar de abrigo e, por outro lado, de julgamento, dificultando o processo”, destacou.
Dra. Erica, em conjunto com a palestrante, também abordou a importância da assistência espiritual no ambiente hospitalar e refletiu sobre os elementos que compõem a espiritualidade para além da religiosidade.
Ao final, Maria Helena deixou um conselho para quem enfrenta o luto:
“Viver um luto abre muitos caminhos. Esse percurso é particular e individual, mas não precisa ser solitário. Viver o luto sem nenhuma dor me faz pensar: ‘O que as pessoas chamam de luto?’ É uma experiência de ruptura daquilo que se tinha e valorizava, e algumas simplesmente dizem: ‘está tudo bem’. É natural do ser humano protestar diante da perda, porque carregamos muitos significados. É normal sentir emoções fortes e até brigar com Deus.”
O bate-papo teve duração de 1h40 e está disponível no YouTube do Instituto Sociocultural.
Para assistir, acesse: Primeira palestra.
Encontro Acolher
No dia 26 de junho, o IRCAD América Latina, em Barretos (SP), recebeu a 14ª edição do Encontro Acolher. O evento, realizado anualmente pela Unidade Infantojuvenil do Hospital de Amor, ocorreu em parceria com o Instituto Sociocultural e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
O objetivo é trabalhar o enlutamento familiar, promovendo a humanização do cuidado e oferecendo um espaço seguro para que, uma vez ao ano, famílias enlutadas de diferentes regiões do país possam se reunir e compartilhar seus sentimentos.
Com o tema “Luto e Religião: A Morte em Diferentes Culturas”, o encontro deu continuidade à reflexão iniciada em maio durante o webinar com a psicóloga Maria Helena Franco.
Nesta edição, cerca de 110 pessoas participaram das atividades, que incluíram palestras com especialistas: o médico de cuidados paliativos da Santa Casa de Misericórdia e do Hospital Regional do Câncer de Passos (MG), Dr. Leonardo de Oliveira Consolin; o psicólogo clínico e logoterapeuta Francisco Carlos Gomes; e o psicólogo Nichollas Martins Areco. Além deles, familiares presentes compartilharam suas vivências e seus caminhos no enfrentamento da perda.

Luto e religião – segunda palestra:
A psicóloga Maria Helena Franco conduziu, novamente, a segunda palestra da webinar “Luto e Religião – A Morte em Diferentes Culturas”, realizada virtualmente no dia 12 de setembro, no período da tarde. Desta vez, o tema foi “O luto do profissional de saúde e a importância do cuidado da saúde mental”.
Durante a conversa, ela ressaltou que todos herdamos uma cultura que molda nossa compreensão sobre morte e luto e que, inevitavelmente, questionamos essas construções. “Quando vamos falar de uma cultura, não podemos esquecer: nós, profissionais, viemos de uma cultura, e ela se mostra na prática. Temos nossas crises, o que é normal. O mesmo ocorre com qualquer pessoa diante de um luto”.
Maria Helena também compartilhou uma dinâmica usada em sua primeira aula, composta por perguntas reflexivas, como: “Quando você era pequeno, como o assunto morte era tratado? Crianças podiam ouvir ou não?” e “Havia uma compreensão religiosa? Qual era a força dessa compreensão?”.
A palestra, mediada pela médica da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital São Judas Tadeu, Dra. Michelle Miwa, teve duração de uma hora e está disponível no canal do YouTube do Instituto Sociocultural. Para assistir, acesse: Segunda palestra.
Luto e religião – última palestra:
O luto do profissional de saúde é uma vivência real e significativa, especialmente em contextos de cuidados paliativos e pacientes em fase terminal. Reconhecer e acolher esse luto é essencial para preservar a saúde emocional, prevenir o desgaste profissional e manter a empatia no cuidado.
A última palestra da webinar “Luto e Religião” foi ministrada pelo psicólogo Alexandre Venancio de Souza, também com o tema “O luto do profissional de saúde e a importância do cuidado da saúde mental”. O encontro foi realizado durante o evento “Outono em Cores”, voltado a colaboradores da instituição.
Durante o bate-papo, Alexandre destacou que o autocuidado vai além da técnica: envolve atenção plena, presença, escuta, conforto e dignidade — tanto para o paciente quanto para sua família. “Profissionais que conseguem equilibrar competência técnica e acolhimento humano promovem um cuidado mais seguro, completo e sensível, que respeita a vida em todas as suas fases e valoriza a qualidade de vida e de morte”, afirmou.
Pensado para reunir famílias que perderam seus entes queridos durante o tratamento na unidade, o evento proporcionou momentos de troca, compreensão e acolhimento, incluindo dinâmicas emocionais e o momento mais esperado: a liberação de balões coloridos com mensagens de saudade, simbolizando a tentativa de aliviar a angústia e permitir a abertura de um novo ciclo.
O luto é o tempo que a mente e o coração precisam para compreender a ausência. E, quando os sentimentos são compartilhados, esse processo pode se tornar menos doloroso e mais leve. Foi assim que nasceu o Outono em Cores.

